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Potencial máximo de um espaço

 

Afinal de contas o que deveria acontecer?

Adaptarmo-nos ao espaço onde vivemos ou trabalhamos, ou o espaço adaptar-se a nós? Obviamente que a segunda opção deveria ser a correta, mas, de facto, é a que a menos se verifica. Quantas vezes não adquirimos ou fazemos algo porque o espaço não o permite, ou não têm arrumação suficiente, ou em ambiente de trabalho não somos capazes de otimizar o nosso serviço por ineficiência da estrutura?

Namoramos durante meses aquele que é um projeto de vida, a aquisição de uma casa, nova ou para remodelar, analisamos o local e respetiva envolvente, sua estrutura e dimensão. E os mais corajosos, que se aventuram na construção de raiz, procuram terreno, equipa de arquitetura e um construtor para executar o projeto dos seus sonhos. Isto tudo para no final acabar por ignorar aquele que é um dos pontos fulcrais da casa, o seu interior. Como é feita a disposição das divisões; se as mesmas respondem à dinâmica familiar na loucura semanal e nas pausas do fim de semana; se a iluminação é adequada às especificidades da utilização de cada zona, e se têm arrumação para as nossas necessidades, entre outros.

Nada como um projeto de Design de Interiores para salvaguardar que conseguimos obter o potencial máximo de um espaço habitacional ou laboral, um que dê resposta às necessidades atuais, mas que salvaguarde necessidades futuras que, neste momento, não prevemos. Um projeto que sirva os utilizadores habituais, mas quando chegue a altura de receber a família, ou todos os funcionários, o consiga fazer sem grandes alterações ou esforço.

Um espaço que permita aos utilizadores terem o que necessitam guardado nas respetivas divisões, que permita ter um ambiente organizado, mesmo quando entram crianças na equação, e não menos importante, um espaço que reflita os utilizadores e os seus gostos, onde nos consigamos rever naquilo que está projetado, um espaço personalizado.

Raramente os espaços têm a dimensão que supostamente necessitamos, mas e se vos disser que já projetei um apartamento T2 com mais arrumação que muitas vivendas T3; ou que muitas casas sem um escritório dedicado conseguiram dar resposta ao teletrabalho com mobiliário que, com um fechar de portas, ocultava a zona de escritório.

Todos os detalhes são importantes na vivência de um espaço, o espectro de iluminação e a colocação da mesma e respetiva intensidade, pois a inexistência de iluminação indireta pode dificultar a visualização do conteúdo de um ecrã ou televisão, a distribuição da parte elétrica pois ninguém deveria usar extensões triplas numa casa bem projetada, os pontos e zonas de circulação. Onde já se viu ter que me desviar enquanto cozinho para alguém aceder ao frigorífico!

Mas se pensarmos bem, não é esta a realidade da maioria dos nossos espaços, agravado ainda quando são espaços cujo utilizador tem mobilidade reduzida.

Não falei no que a maioria das pessoas pensa ser o Design de Interiores, a escolha de materiais e acabamentos, cor de paredes e elementos decorativos.

Sim, isso também é importante, especialmente na humanização e personalização do espaço, mas essa parte, sem o resto, é somente Decoração de Interiores. Um projeto de Design de Interiores marca positivamente a relação do utilizador com o espaço.